Os preços pagos aos pecuaristas de leite voltaram a cair em janeiro na comparação com dezembro.
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Em Minas Gerais, a queda ficou em 0,05%, e o litro do leite foi negociado, em média, a R$ 2,15. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a nova redução é resultado do consumo enfraquecido.

A queda no consumo de leite agrava a situação do produtor diante de custos elevados | Foto: Alina Souza/Especial Palácio Piratini

A inflação e o desemprego elevado estão comprometendo o poder de compra das famílias, que reflete diretamente na demanda pelo leite e derivados. Com a nova queda, a situação do produtor se agrava, uma vez que os custos continuam em alta.

Para o pagamento de fevereiro, a expectativa ainda é incerta. Segundo o  Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, se por um lado o consumo tende a seguir retraído, por outro, a produção interna segue limitada e o aumento do dólar tem desfavorecido a importação do leite, o que gerou um aumento da cotação no mercado spot na segunda quinzena de janeiro.

Segundo os dados do Cepea, na média nacional, o preço do leite captado em dezembro e pago aos produtores em janeiro recuou 0,6% em relação ao mês anterior. O litro foi cotado a R$ 2,10 na média líquida. Pressionado pela demanda enfraquecida, esse valor é 5,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, sendo também o menor desde março de 2021, em termos reais.

pesquisadora do Cepea Natália Grigol explica no relatório que, apesar de ser típica a queda de preços ao produtor nesta época do ano, desde setembro de 2021 é observado um forte movimento de baixa que não está atrelado a um excedente de oferta – como sazonalmente tende a ocorrer –, mas sim à fragilidade da demanda por lácteos e à perda do poder de compra do brasileiro.

Com a demanda enfraquecida, mesmo com o preço da matéria-prima mais baixo nos últimos meses, ainda é complicado para os laticínios realizarem o repasse dos custos de produção dos lácteos para o consumidor. Com dificuldade em assegurar uma boa liquidez, a tendência entre dezembro e janeiro foi de aumento dos estoques de lácteos e de necessidade de diminuição no patamar das cotações negociadas com os canais de distribuição.

“O enfraquecimento do consumo tem ditado o patamar dos preços na prateleira, o que vem sendo transmitido para o produtor no campo. Contudo, as irregularidades nas chuvas e as ondas de calor têm impactado a qualidade da alimentação animal, ao mesmo tempo em que os preços dos insumos continuam corroendo a margem do produtor de leite”.

Poder de compra afetado

A situação no campo é complicada e, por mais um mês, houve diminuição do poder de compra do pecuarista.

Os dados do Cepea mostram que, em dezembro, o poder de compra do pecuarista frente ao milho diminuiu em razão da valorização do grão no mercado interno e da queda no preço do leite no campo. Foram necessários 41,50 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos do cereal, contra 38,52 litros registrados no mês anterior.

Além disso, os preços dos principais insumos da atividade pecuária foram afetados pelo movimento de alta global das commodities, principalmente do petróleo, que encareceu a produção, o transporte e a distribuição dos produtos.

Outro fator citado pelo Cepea é a persistente desvalorização do real frente às moedas estrangeiras, o que encarece ainda mais a importação das matérias-primas para suplementos minerais, adubos, agroquímicos e medicamentos.

Futuro

Em relação a fevereiro, a tendência ainda é incerta, mas há movimentações no mercado que podem favorecer uma alta no campo. No boletim de preços do Centro de Inteligência do Leite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de leite), os pesquisadores indicam que os preços dos lácteos no mercado atacadista tiveram pequena reação na segunda quinzena de janeiro, principalmente o do leite UHT e do leite em pó.

Segundo o relatório, o mercado de queijo muçarela e o leite no mercado spot tiveram um janeiro ainda fraco, mas no início de fevereiro o spot registrou pequena alta.

“Apesar da demanda interna fraca, o cenário de queda nos preços se reverteu devido à alta na cotação internacional dos lácteos, o baixo volume de leite via importação, a produção relativamente mais baixa de leite devido à piora na rentabilidade dos produtores e um horizonte de entressafra se aproximando. No varejo, os lácteos também registraram pequena elevação”, trouxe o documento.

Encontro acontece esta sexta-feira e conta com a presença do secretário de Estado da Agricultura, Rui Martinho.

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