Após meses de preços altos, o produtor começa a amargar quedas sucessivas no preço do litro de leite.
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“Produtor chegou ao seu limite”, diz vice-presidente da entidade, Eugênio Zanetti

De acordo com levantamento do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) o valor para o mês de outubro ficou em R$ 1,64 o litro, 4% abaixo do consolidado de setembro (R$ 1,7149).

Em apenas um mês o produtor Dionei Fusiger, de Canudos do Vale, amarga uma queda de R$ 0,25 no litro do leite. Por dia são produzidos 150 litros de leite na propriedade. “Representa uma perda de R$ 1.125,00. Do jeito que está não temos mais lucro. A gente trabalha para manter a atividade. Está difícil, mas não temos outra opção”, desabafa.

Para baixar custos e ter uma sobra ele pretende reduzir o consumo de ração em 300 quilos e oferecer mais pasto verde para o rebanho. “O lado ruim é falta de chuva que fez parte da pastagem secar.”

Outro problema enfrentado é a alta nos custos com insumos. “Na safra passada o saco de ureia estava em R$ 90. Agora passa de R$ 275. Enquanto isso o preço do leite baixou. A conta não fecha mais. Não sei mais por quanto tempo conseguiremos nos manter, pois tudo aumenta, menos o nosso rendimento.”

“É uma conta que não fecha”

Segundo o coordenador do Conseleite, Alexandre Guerra, enquanto o aumento acumulado nos custos industriais é de 33%, a reposição de preço do leite ao varejo foi de apenas 12,8% nos últimos 12 meses.

“É uma conta que não fecha”, justificou. Consciente que o setor está entrando em um momento delicado, o dirigente informou que, em 2021, a indústria vem trabalhando sem margens e que é preciso repassar algo ao varejo.

A queda dos preços pagos ao produtor de leite mobiliza entidades que representam a categoria em busca de soluções para o problema. Uma das alternativas em discussão é a reivindicação da adoção de compras governamentais, medida defendida pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS).

Indignação

“Alguma coisa precisa ser feita porque o produtor chegou ao seu limite”, afirma o vice-presidente da entidade, Eugênio Zanetti. De acordo com ele, indústrias estão baixando o preço pago ao produtor em até R$ 0,30 em um mês, o que causa indignação entre os agricultores.

“Dependendo do volume que o governo comprar, poderia haver um impacto positivo”, acredita . Outra alternativa apontada pela Fetag é o estímulo às exportações como forma de regular o preço no mercado interno.

“O produtor fez a sua parte adequando-se às Instruções Normativas 76 e 77 para melhorar a qualidade do leite. As indústrias precisam se habilitar para exportar.”

Custos aumentam 120%

No comparativo de setembro de 2020 com setembro de 2021, a ração subiu 26,5%, o diesel, 65%, e a ureia e os fertilizantes, 120%. O vice-coordenador do Conseleite, Rodrigo Rizzo, argumentou que as dificuldades de rentabilidade do setor são enfrentadas tanto por indústrias quanto por produtores.

Para amenizar a situação, os produtores clamam que se busque novos mercados, principalmente no exterior, de forma a diminuir a dependência e a volatilidade que se tem em relação ao mercado interno.

“Nosso foco é tirar a produção do país e fortalecer as campanhas de consumo em um momento em que, sabidamente, temos uma dificuldade de poder aquisitivo da população”, frisou Rizzo. A preocupação é com um movimento de desinvestimento no campo que resulte em aplicação de menos tecnologia e, consequentemente, menor oferta de leite nos próximos meses.

A temperatura percebida está intimamente ligada à temperatura do ambiente que, juntamente com a umidade relativa, aumentam no verão.

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