A queda geral da produção em 2022 se deve às condições climáticas desfavoráveis que resultaram em piores condições de pastagem.
Share on twitter
Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
producao
De acordo com o último relatório sobre o setor de lácteos do Brasil publicado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção de leite em 2022 reduzirá cerca de 5% para 23,7 milhões de toneladas, enquanto em 2023 deverá crescer cerca de 3,6%, atingindo 24,5 milhões de toneladas.

O relatório ressaltou a sazonalidade da produção leiteira brasileira que é predominantemente a pasto e em sistemas de semiconfinamento e, por isso, é afetada pelos padrões climáticos cíclicos que impactam as condições da pastagem.

Em 2022, a produção de leite seguiu um padrão semelhante ao de 2021, porém em volumes menores (cerca de 8% menor), conforme gráfico abaixo. A exceção foi de junho a agosto, quando a produção de 2022 cresceu mais rápido do que em 2021. A queda geral da produção em 2022 se deve às condições climáticas desfavoráveis que resultaram em piores condições de pastagem, além de menor demanda do consumidor, estagnação da economia, baixa renda disponível do consumidor e preços elevados do leite no varejo.

Embora a produção de leite em 2023 deva crescer, os produtores enfrentarão dificuldades devido aos elevados custos de produção, incluindo ração animal. Os efeitos climáticos do La Ninã também podem afetar a produção de pastagens, embora especialistas prevejam que será mais ameno em 2023 do que em 2022.

Figura 1. Oferta de leite por mês 2020-2022

Tamanho do rebanho leiteiro do Brasil

O tamanho do rebanho bovino do Brasil vem se recuperando desde 2021, após a queda nos números de 2013-2021. Em 2022, o tamanho do rebanho de vacas leiteiras deve aumentar cerca de 1,5%, para cerca de 16,9 milhões de cabeças.

Em 2023, o rebanho deve crescer cerca de 1%, chegando a cerca de 17 milhões de cabeças. Os preços mais altos do leite em 2022 podem incentivar os pecuaristas a aumentar suas quantidades de vacas.

Um dos principais desafios enfrentados pelos pecuaristas brasileiros tem sido a inflação. Para os produtores de leite, os custos aumentaram para ração (principalmente milho e soja), fertilizantes, diesel, energia elétrica e custos de transporte.

O impacto do aumento dos custos da alimentação tem sido grande, especialmente para os produtores de leite que usam sistemas de produção semi ou totalmente confinados.

Consumo

O relatório estima que o consumo de leite fluido em 2022 cairá cerca de cinco%, para 26,6 milhões de toneladas, o que é menor do que a previsão da projeção anterior. Para 2023, o USDA prevê que o consumo de leite fluido aumentará mais de 3% ano a ano, para 27,5 milhões de toneladas, considerando que o Brasil provavelmente continuará se recuperando de sua recessão econômica.

Comércio

O Brasil é um importador líquido de lácteos, conforme mostra o gráfico abaixo. O déficit comercial cresce durante os períodos de inverno à medida que as condições de pastagem pioram, reduzindo assim a quantidade de leite produzido pelas vacas. A necessidade de importar produtos lácteos aumenta nesses períodos.

A balança comercial de lácteos do Brasil é negativa há muitos anos, embora em 2021 o déficit tenha sido menor. No entanto, esta redução do déficit deveu-se a menores valores de importação, e não devido a exportações crescentes.

Figura 2. Balança comercial de lácteos.

O leite em pó é o principal tipo de produto lácteo importado. Além de prático e versátil, costuma ter preços mais baixos no exterior, o que o torna atrativo para importar. O atual pico nas importações de leite em pó se deve principalmente aos elevados preços dos lácteos no mercado brasileiro. O segundo produto lácteo mais importado é o queijo. As demais importações são compostas por leite em pó desnatado, proteína de soro de leite e manteiga.

Enquanto isso, as exportações brasileiras de leite vêm crescendo. Em 2022, as exportações de leite devem chegar a 12 mil toneladas, 2,5% a mais que no ano anterior. Os volumes de exportação vêm crescendo constantemente desde 2018, quando o Brasil exportou 6,3 mil toneladas.

Já para 2023, o volume exportado deve ser semelhante ao volume de 2022, sendo que qualquer aumento deve ser pequeno.

Se a produção de leite de fato crescer em 2023, parte será destinada ao mercado externo, já que o mercado interno dificilmente absorverá volumes adicionais devido à disponibilidade de renda do consumidor. Os custos de produção permanecem elevados em 2022 e levarão vários meses para baixar.

O Brasil exporta creme de leite, que pode ser considerado um tipo de ‘leite fluido’, porém não é considerado como parte desta categoria de ‘Leite fluido’. No entanto, o Brasil exportou em média 8 mil toneladas por ano de creme de leite, para vários países, principalmente em desenvolvimento, nos últimos cinco anos.

leia também: NA REGIÃO PRODUÇÃO DE LEITE É MANTIDA COM RAÇÕES E CEREAIS

Boletim de Preços
Informe com análise e acompanhamento das variações de preços de indicadores de interesse da cadeia do leite.

Você pode estar interessado em

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Para comentar ou responder, você deve 

ou

Notas
Relacionadas

ASSINE NOSSO NEWSLETTER