Depois de uma quebra expressiva na safra do milho usado para fazer silagem, o produtor de leite André Luís Schorr decidiu apostar, pela primeira vez, no cultivo de trigo para fazer silagem e alimentar o rebanho.

O morador de Linha Conceição, no interior de Mato Leitão, explica que há cerca de quatro anos já tinha ouvido falar sobre o uso do grão para esse fim, no entanto, não tinha tido coragem para investir. “Em outras regiões, isso é muito comum. Acho que a seca foi o empurrão que faltava para eu começar”, relata.

Segundo Schorr, pessoas mais antigas comentam que este foi um ano atípico, pois se perdeu as duas safras. Por essa razão, o produtor decidiu aproveitar a área onde planta milho no verão para semear o biotrigo – variedade de semente específica para a silagem e o feno – no inverno e, assim, utilizar culturas diferentes, mas específicas para cada época do ano, para produzir alimento para as vacas. O grão foi semeado nos mesmos 26 hectares usados para o plantio do milho.

Expectativa positiva

O morador de Linha Conceição também explica que estudos apontam que, em relação à produção de milho, a do trigo é 20% menor. No entanto, o aproveitamento do trigo para a silagem é de 95%. De acordo com Schorr, a cada quilo de milho a vaca consegue a fazer a digestibilidade – que interferirá na produção do leite – de 600 gramas. Já no trigo, a cada quilo, o animal aproveita 950 gramas. O custo de plantio do trigo também é menor.

“A perspectiva é boa em relação ao trigo. Tivemos uma safra de milho ruim e há uma expectativa de que a próxima também não seja muito boa”, avalia. Conforme o produtor, a quebra na safra de milho passou de 50% neste ano. E, no caso do milho Safrinha, esse percentual foi ainda maior.

O objetivo de Schorr é plantar milho para silagem do verão e trigo no inverno. “A expectativa é de que o trigo supere a produção atual de milho, porque a safra estava ruim. Preciso ver o resultado, mas a ideia é plantar sempre, mesmo que não seja em toda a área”, observa.

O plantio do biotrigo foi realizado no dia 29 de maio. É preciso esperar 120 dias para colher o grão para que depois seja feita a silagem. “O processo de silagem é o mesmo do milho. Tenho duas trincheiras, mas vou precisar fazer mais uma”, comenta. O alimento é usado para o plantel composto por 111 animais, sendo deste total 62 vacas para ordenha.

Redução de custos e reserva de alimento estão entre os benefícios

Para o chefe do escritório da Emater em Mato Leitão, Claudiomiro da Silva de Oliveira, é interessante fazer um rodízio que possibilite a geração de alimento para o gado em períodos nos quais, normalmente, se tem escassez. De acordo com ele, André Schorr é o primeiro produtor de Mato Leitão a investir no plantio do biotrigo especial para silagem. “Outros produtores já tinham plantado trigo normal, alguns até usaram para fazer o pré-secado, mas específico para silagem é a primeira vez”, destaca.

Oliveira também observa que o custo para a produção da silagem do trigo é menor do que a do milho. Além disso, ele menciona que outro benefício relacionado ao cultivo do grão é se ter mais uma fonte de matéria-prima para a alimentação do rebanho. “A qualidade do trigo é muito semelhante à do milho. Isso auxilia e vai baratear muito os custos de produção de silagem. Também se aproveita a área e o ano inteiro se produz alimento para o animal, criando uma reserva para não ficar tão dependente do clima.”

Em relação à perda na produção, o chefe do escritório da Emater reforça o que Schorr já havia comentado que, com o uso de silagem de baixa qualidade, a tendência é reduzir a produção da vaca. “A perda vai se acumulando por meses até que o animal entre em processo de produção de novo”, complementa.

Conforme Oliveira, o plantio de trigo para silagem ainda não é muito comum na região, mas aos poucos os produtores estão buscando por essa opção. “Ele vai colaborar para que, além de reduzir custos, se tenha uma garantia de alimentação, porque o produtor terá à disposição um volume de alimento bem maior e vai conseguir manter a dieta do animal uniforme”, explica. O biotrigo também pode ser usado para se fazer feno e pré-secado.

Segundo o produtor de leite André Schorr, o custo do plantio de trigo em um hectare é de R$ 1,1 mil. Já o plantio do milho em uma área igual é de R$ 2,5 mil.

Perda na produção

De acordo com André Schorr, por causa da quebra na lavoura de milho destinada para a silagem, a vaca vai produzir menos durante todo ano. Ele analisa que, de janeiro até o fim de julho, a produção de leite das vacas sofreu uma perda de aproximadamente 500 litros. “Colhemos menos silo e isso reflete na qualidade do alimento e na produção”, compartilha, ao observar que isso só mudará quando se tiver uma safra nova.