Nos últimos quatro anos, o estado americano conseguiu cortar 25% das emissões de metano, transformando o esterco de seus rebanhos em biogás para a indústria do transporte
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Ao sul, Hollywood, a terra do cinema. Ao norte, o Vale do Silício, berço das inovações tecnológicas. Poucos de nós, no entanto, conhecem a Califórnia por sua pecuária, especialmente a leiteira.

Com quase 39,5 milhões de habitantes, o estado da costa oeste americana deve entrar para a história também como o lugar onde ficou comprovado que as vacas podem ser aliadas do clima – não, é claro, sem a contestação dos ambientalistas.

Um dos principais centros mundiais na produção de leite, a Califórnia, se fosse um país, seria a quinta economia do mundo – mais rico que nações como França, Itália, Espanha e Brasil. De cada seis vacas americanas, uma é californiana.

Como, globalmente, o rebanho bovino é responsável por quase 36% das emissões de metano, em 2015, as autoridades estaduais estipularam como meta para 2030 reduzir em 40% a quantidade do gás lançada na atmosfera.

Produto da digestão das vacas, o gás é muito mais potente para o efeito estufa que o dióxido de carbono. Mas, por outro lado, se decompõe, em média, dez vezes mais rápido do que o CO2.

Segundo o pesquisador Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar do departamento de ciência animal da Universidade da Califórnia, em Davis (UC Davis), quando uma vaca é alimentada, 10% da energia fornecida ao animal se esvai pelo ar sob a forma do gás metano, sobretudo via os arrotos dos animais –ou no jargão científico, em emissões entéricas.

As iniciativas adotadas pelo produtores californianos têm funcionado. Nas contas de Mitloehner, também diretor do Clear Center, centro de estudos sobre a sustentabilidade da agricultura animal, nos últimos quatro anos, a Califórnia conseguiu cortar um quarto do volume de metano liberado no ar.

Uma das estratégias adotadas foi mudar a forma como o esterco vinha sendo armazenado. Tradicionalmente, o excremento fica em campo aberto, exalando metano no ar. Agora, o estrume vai para ambientes fechados, nos chamados digestores anaeróbicos. Os gases são capturados e convertidos em biocombustível, para a indústria do transporte.

Os digestores da UC Davis

Ou seja, graças aos rebanhos bovinos, caminhões e ônibus podem abolir o uso de combustíveis fósseis. Um trabalho conduzido pelo pesquisador Aaron Smith, da mesma UC Davis, mostra que um terço da receita obtida atualmente por uma vaca na Califórnia vem do biogás de estrume.

Como o governo subsidia os digestores anaeróbicos e o combustível à base de esterco tem se revelado um bom negócio, os ativistas do clima temem que os incentivos estaduais possam levar a um aumento do rebanho. Desde 2015, US$ 600 milhões saíram dos cofres públicos para financiar a construção das fábricas de biogás.

Outra crítica dos movimentos de defesa do planeta: a maior parte desse dinheiro beneficiou, sobretudo as fazendas industriais, com 7 mil cabeças, em média, cada uma. Com críticas severas aos altos subsídios, os ambientalistas alegam que, sem o incentivo governamental, os digestores não seriam assim tão lucrativos.

Um outro trabalho da UC Davis mostra que, em um ano, são necessários US$ 294 em investimentos para uma única vaca produzir US$ 68 em biogás, sem contar os custos para a construção dos digestores.

Apesar dos protestos, é impossível negar que o uso do estrume para a produção de energia é uma boa ideia. E, ao contrário do que pregam os defensores do vegetarianismo, o consumo de carne, leite e seus derivados, argumentam os estudiosos, é imprescindível em um momento de ameaça à segurança alimentar global, sobretudo nos países mais pobres.

 

Ano de 2021 terminou com dificuldades para os laticínios, mas cenário piorou durante 2º semestre de 2022.

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