Sergipe apresenta resultados positivos do Programa de Melhoramento Genético por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) realizado em 2021.
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O programa é realizado gratuitamente pelo Governo de Sergipe para beneficiar pequenos pecuaristas produtores de leite. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura (SEAGRI) o resultado revela índice de prenhez de 44%, sendo que cinco municípios obtiveram índice acima de 50%, percentual maior que 2019 que foi de 43,8%. Para o órgão público, uma apuração bastante satisfatória considerando que os rebanhos trabalhados são principalmente de pequenos produtores que têm de 1 a 10 animais e produzem até 150 litros de leite por dia, e que estão ainda em fase de aprendizado e não têm controles zootécnicos e sanitários ideais. Outro diferencial é que este ano os recursos do programa foram do tesouro estadual.

Desde 2018, o Governo do Estado incluiu uma nova tecnologia entre essas políticas públicas para melhoramento genético do rebanho. A ação é coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura, com execução técnica da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário do Estado de Sergipe (Emdagro). Trata-se de uma biotecnologia que visa à elevação da eficiência reprodutiva dos rebanhos, por meio da indução e sincronização da ovulação das fêmeas, através de protocolos hormonais. “O Projeto IATF contribuiu para geração de 582 animais melhorados geneticamente, sendo 157 nascidos em 2019, e 425 em 2020, nos 15 municípios trabalhados. Em 2021, foram inseminadas 885 vacas com a expectativa de nascimento de 389 bezerros em 2022. A disponibilidade dessas bezerras e desses bezerros, filhos de touros com avaliação genética comprovada, terá efeito positivo na produção de leite, na produtividade e na renda dos criadores do Semiárido Sergipano”, comentou o presidente da Emdagro, Jefferson Feitoza de Carvalho.

A médica veterinária e coordenadora de pecuária da Emdagro, Izildinha Aparecida de Carvalho Dantas, destaca que em 2021 cada produtor recebeu visitas técnicas para viabilizar o processo reprodutivo em seus animais. “O procedimento envolve aplicação de hormônios através de dispositivos intravaginal bovino e injetável, bem como de vacinas que afetam a reprodução e vitaminas, por fim, a inseminação com sêmen de animais de alta linhagem das raças Holandesa, Girolando ou Gir Leiteiro”, detalha Izildinha.

Segundo relatório divulgado pela Seagri e Emdagro, em 2021, o Programa de Melhoramento Genético está beneficiando 168 pequenos criadores de 16 municípios com investimentos de R$ 200 mil do Governo do Estado de Sergipe, via Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Funcep), da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (Seias). Com estes investimentos foram inseminados 885 animais. Para o secretário da Agricultura, Zeca da Silva, o principal objetivo é melhorar as condições de vida do produtor. “O governo disponibiliza para o pequeno produtor essa biotecnologia que promove o aumento da produtividade do rebanho leiteiro e, consequente, aumento de renda para aqueles que não têm condições financeiras para usar esta ferramenta reprodutiva mais avançada”, explica o secretário.

Resultados

Dados do relatório destacam que dos 16 municípios atendidos (Poço Redondo, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Glória, Gararu, Feira Nova, Porto da Folha, Canindé do São Francisco, Nossa Senhora das Dores, Riachão do Dantas, Carira, Simão Dias, Aquidabã, Poço Verde, Tobias Barreto), cinco tiveram taxa de prenhez acima ou igual a 50%, com destaque para Dores com 57%. Dois municípios puxaram a média para baixo, Carira e Tobias Barreto, 20% e 21%, respectivamente. Em Carira os produtores resolveram fazer descorna após o protocolo hormonal e o estresse afetou o resultado. Em Tobias Barreto houve um ataque de cigarrinha nas pastagens afetando o estado nutricional das vacas, o que é ruim para a manutenção da prenhez. Desconsiderando estas duas médias, o índice de prenhez chegou a 47,1%, bastante satisfatório para as condições e público trabalhado.

Com 23 vacas leiteiras, sendo que 18 estão em lactação, o produtor Heleno da Silva Lima disse que ficou muito satisfeito com o programa. “Nos próximos anos vou querer participar, com certeza, porque é uma forma da gente pegar uma genética muito boa. É um trabalho que tem resultado garantido. Nós estamos sendo contemplados com o trabalho da Emdagro que traz a inseminação artificial e faz curso pra gente melhorar no nosso dia a dia, e, melhorar as condições de nosso rebanho, as condições do leite. Está sendo muito bom porque vamos crescer, na verdade, aumentar nossa produção leiteira”, disse Heleno.

Também o jovem produtor Edésio Barros Júnior, com propriedade no povoado Lages, em Aquidabã, reforçou a importância do programa para os pequenos produtores que não têm acesso a sêmen de boa genética por causa das condições financeiras, e do alto custo. “O governo chegou com essa oportunidade da inseminação e vem trazendo bons resultados. Na época do meu pai, para tirar 200 litros tínhamos que ter de 80 a 100 vacas. Hoje, tenho 30 vacas em lactação e produzo, em média, 300 litros por dia, com uma só ordenha. E quero tirar mais com essas novas matrizes aqui da inseminação, porque pela origem dos touros elas podem produzir até 20 litros por dia. Nosso sonho é continuar crescendo. Já adquiri ordenhadeira mecânica e outros equipamentos para melhorar nosso produto”, explicou.

Continuidade

Segundo o secretário Zeca da Silva, em 2021, o governador Belivaldo Chagas assegurou recursos do recém-lançado programa Pró-campo, dentro do eixo Desenvolvimento Rural e Sustentável, para continuar levando essa tecnologia a mais produtores. Dentro do planejamento está previsto investir R$ 210.000,00 no melhoramento genético dos rebanhos.

Como em quase todos os aspectos da vida, o que é bom é bom porque está em equilíbrio: a dieta mais completa, mais ecológica e mais barata possível dentro dessa completude será composta de animal, com o leite desempenhando um papel de liderança, e vegetal.

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