O dia começa especialmente cedo para a senhora Odete Fraga, na Linha 06 Oeste, interior de Ijuí.
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Antes mesmo do sol nascer, a idosa de 63 anos começa a manejar o gado e tratar os animais na pequena propriedade da família. Há um ano, o trabalho era ainda mais árduo, já que eram mais de 40 vacas leiteiras que proviam o sustento da família. Odete desistiu da atividade por dois fatores: não estava mais tendo lucros e não encontrou mão de obra para ajudá-la na produção.

Os dois problemas relatados pela produtora refletem a queda no número de produtores em todo o Rio Grande do Sul, um dos estados que registra o maior percentual de desistência da atividade, no país. O número de produtores de leite em atividade no Rio Grande do Sul caiu 52,28% de 2015 para 2021. Em contrapartida, a queda de produção foi de apenas 3,15%. Os dados são do Relatório da Cadeira Produtiva de Leite de 2021, apresentado pela Emater/RSASCAR. A explicação para a disparidade nos percentuais, de acordo com a Emater, é de que os produtores que permanecem na atividade, passam a produzir mais.

Na região de Ijuí, em dez anos, a queda no número de produtores foi de 57%. De acordo com o Técnico Agrícola da Emater, Edvin Bernich, em 2012, 650 famílias produziam leite; em 2021 o número caiu para 280. A desistência de 370 famílias preocupa. Odete Fraga, que atualmente mora sozinha na propriedade, disse que o preço que recebia por litro de leite era de R$ 0,80. “Esse valor nem pagava os custos, então lucro era impossível”, lamentou.

Mesmo com o baixo lucro, a idosa tentou encontrar funcionários para ajudar na manutenção da atividade. “Procurei e não encontrei ninguém que soubesse trabalhar com isso, e a pessoa precisa saber, não é algo que se aprende do dia para a noite. Antigamente tinha mais gente trabalhando na roça, agora é uma dificuldade”, lamentou.

Outro exemplo da desistência da atividade impulsionada pela falta de incentivo e alto custo de produção, Jacson Ordman, pertencente à terceira geração produtora de leite, deixou a atividade há dois anos. Ele e a família tinham 45 vacas na ordenha, e optaram por não manter. “Tinha meses com um bom preço, com um lucro ainda que pequeno, mais uns dois meses que o gasto era o mesmo da arrecadação e o restante do ano trabalhávamos no vermelho. Sem falar no custo da produção, pois tudo aumentou, inclusive a alimentação dos animais. Pensamos durante muito tempo até chegar a conclusão que não dava mais”.

Jacson disse ainda que o Governo não oferece nenhum estímulo/incentivo para que as famílias continuem na atividade. “Conheço pessoas que trabalham com gado confinado e querem encerrar as atividades. Além disso, falta mão de obra. Está tudo muito complicado”, pontuou.

Uma audiência pública que vai debater a perda de competitividade do setor lácteo gaúcho acontece no dia 27 de abril. Aprovada pelas Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo e Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo, visa tratar da carga tributária desigual vivida pelo segmento e agravada com a implementação do Fator de Ajuste de Fruição (FAF). A audiência ocorrerá a partir das 10h, no 3º andar da Assembleia Legislativa, e terá transmissão ao vivo pelo canal da ALRS. A pauta foi proposta pelo deputado Zé Nunes.

A expectativa do setor é de que os preços no campo sigam firmes, à medida que a oferta continuou baixa em junho.

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