A cultura do leite é a mais afetada.
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Fonte: Alianza Alimentaria

A chuva registrada nos últimos dias, infelizmente, não foi capaz de amenizar as perdas que dezenas de agricultores de Mato Leitão estão sofrendo por causa da estiagem. Conforme laudo elaborado pela Emater na quinta-feira, 16, o prejuízo financeiro no município já está em R$ 14.907.058,00. A cultura do milho é a mais afetada, com uma quebra de 12.656.250,00.

Segundo o relatório, nesta safra as lavouras plantadas ocupam uma área estimada de 2,5 mil hectares, envolvendo a produção do milho para venda de grão e para fazer silagem. Como a cultura está presente em praticamente todas as propriedades, a Emater acredita que 447 famílias rurais estão sendo afetadas. O percentual de perda do grão já está em 45%. Até a tarde de terça-feira, 35 agricultores já tinham acionado o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Por causa da situação que vem sendo enfrentada pelos produtores da Cidade das Orquídeas, a Administração estuda a possibilidade de publicar um decreto de emergência nos próximos dias. O assunto foi tema de reunião realizada na terça-feira, 21, entre o prefeito Carlos Bohn e representantes da Emater, da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e da Defesa Civil Municipal.

Esses órgãos trabalham, nesta semana, no levantamento de dados sociais relacionados à falta de chuva para acrescentar no laudo de perdas no setor primário já elaborado pela Emater. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, durante o encontro, o chefe do Executivo ressaltou a necessidade de toda a comunidade se envolver, fazendo o uso racional da água.

“As redes hídricas atendem todo o município e, por enquanto, ainda não registramos problemas. Não podemos descuidar. É preciso a conscientização de todos e evitar desperdícios.” O secretário de Agricultura, João Carlos Machry, também informou que já recebeu pedidos de transporte de água para saciar a sede de animais.

Fatores

Para o chefe do escritório da Emater em Mato Leitão, Claudiomiro da Silva de Oliveira, um dos grandes problemas é que os produtores do município estão enfrentando uma sequência de períodos com estiagem, e isso fez com que muitos agricultores estejam no terceiro acionamento de seguro da safra em cinco anos. “Isso pode aumentar o valor do próximo financiamento ou arrisca o agricultor nem conseguir fazer”, explica.

Oliveira menciona que os fatores que mais contribuíram para essa quebra significativa na safra de milho foram a ausência de chuva regular, que varia de 20 a 30 milímetros por semana, as altas temperaturas na época do florescimento e a grande quantidade de vento. “Como a planta já estava mais frágil, com evento tombava mais facilmente”, comenta.

Ainda segundo o chefe do escritório local da Emater, o período de precipitação que mais fez falta foi entre 15 de outubro e 20 de novembro, quando acontece a floração. Oliveira relata que a principal característica da produção de milho em Mato Leitão é o plantio mais cedo, normalmente no mês de agosto.

Além disso, há uma quantia maior de pés plantada por hectare, o que exige uma situação hídrica melhor, com chuva regular, e os produtores investem em cultivares de ciclos rápidos, o que requer mais umidade na época do florescimento, que é o período mais crítico em relação à necessidade de chuva.

Saiba mais

Por causa da estiagem, Oliveira relata que muitos agricultores que plantaram milho para vender o grão estão vendendo as lavouras para que seja feita silagem para, assim, amenizar os prejuízos financeiros. A previsão inicial era de que a produtividade desses produtores fosse de 10 mil quilos por hectare. Entretanto, com esse cenário, está em menos de cinco mil quilos.

“O custo do produtor no plantio era um. Agora, praticamente dobrou por causa do aumento dos insumos”, observa o chefe do escritório local. Ele ainda informa que em virtude da escassez da silagem, muitos produtores estão comprando com outros agricultores.

A expectativa era que, de forma geral, as lavouras do município rendessem de 160 a 180 sacas de milho por hectare. Mas hoje, raras são as áreas que chegam na metade dessa produtividade. Ele ainda lembra que por causa da tecnologia e os investimentos empregados no plantio, as perdas dos produtores são maiores.

Por conta da estiagem, os produtores também precisaram adiantar o período para fazer a colheita do grão. Normalmente, eles começavam a fazer a silagem em 20 de dezembro, mas neste ano esse trabalho foi adiantado em, pelo menos, três semanas.

Alguns agricultores que estão com as lavouras em melhor estado deixaram para fazer a colheita entre o fim de dezembro e o início de janeiro para vender o grão. Esse ciclo também foi encurtado. Normalmente ele iniciava em 15 de janeiro.

Os principais danos causados no milho em razão da estiagem estão relacionados à qualidade. “Os grãos e as espigas ficaram pequenos, não amadureceram corretamente. Isso dificulta bastante a colheita com as máquinas. Também pode favorecer o surgimento de carunchos na lavoura e o apodrecimento dos grãos”, relata.

Prejuízo financeiro*
• Milho: R$ 12,6 milhões
• Leite: R$ 791 mil
• Soja: R$ 540 mil
• Tabaco: R$ 405 mil
• Bovino de corte: R$ 304 mil
• Pastagens: R$ 111 mil
• Verduras: R$ 99 mil
*Dados atualizados em 16 de dezembro

Preocupação com a soja

• Segundo o chefe do escritório local da Emater, Claudiomiro da Silva de Oliveira, outra grande preocupação para o município é em relação à soja. “Se não chover até o fim do ano vamos ter problemas”, alerta. Ele observa que a soja é mais resistente que o milho, mas também precisa de umidade no período de floração. “A maioria dos produtores já plantou e precisa dessa chuva para o florescimento. Entre 10% e 15% ainda não semearam”, cita.

“Não tem muita luz para nós”, lamenta produtor

André Schorr, morador de Linha Conceição, é um dos agricultores que está sentindo os efeitos da estiagem. Produtor de leite, ele plantou 26 hectares de milho para fazer silagem e usar o grão para alimentar as 66 vacas do plantel. No entanto, a falta de chuva prejudicou o desenvolvimento do grão, o que lhe causou um comprometimento de 80% da área cultivada.

“No setor do leite, o agravante é ainda pior, porque teremos um ano todo com produção menor, além do aumento nos custos com ração e compra de milho, porque não teremos uma silagem de qualidade”, relata. Schorr ainda destaca que a esperança para os produtores do segmento é que o milho safrinha tenha uma produtividade. Porém, ele já adianta que a previsão é de pouca chuva para o período também. “Não tem muita luz para nós. Temos que pensar no próximo ano, na próxima safra”, lamenta.

Segundo o produtor, outro dificultador é que houve aumento no valor pago pelos insumos e queda no preço pago pelo litro de leite. Por causa de todos esses fatores, ele acredita que o cenário para o setor no próximo ano será muito negativo. “O ano de 2022 será de muita propriedade fechando as portas por não conseguir pagar as contas”, projeta. Como sofreu com a quebra na lavoura de milho, Schorr precisou investir na compra de três hectares do grão para fazer silagem.

O produtor de Linha Conceição ressalta que o milho deste ano terá menos qualidade e volume. A previsão dele era colher de 150 a 180 sacas de milho por hectare, mas hoje acredita que, na semana que vem, quando iniciar a colheita, vai ter um rendimento de apenas 50 sacas por hectare. “A esperança é que o milho safrinha seja bom, para que sejam só seis meses de quebra. Se ele frustrar também vamos ter todo o 2022 comprometido e vai faltar pasto para alimentar o gado”, comenta.

Ele ainda relata que será necessário fazer um investimento dobrado para manter a alimentação do rebanho. “A vaca vai produzir se tiver uma forragem de qualidade e infelizmente não teremos na região.” Por causa dos investimentos feitos na propriedade e no cultivo do milho, Schorr projetava uma produção médica de 35 litros de leite por vaca em 2022. Contudo, teve essa expectativa frustrada por causa da estiagem e agora torce para conseguir chegar a 28 litros. “A quebra pode ser maior ainda”, acrescenta.

Dados sobre os principais indicadores para a cadeia produtiva do leite como preços do leite no mercado brasileiro e internacional, relação de troca ao produtor, balança comercial brasileira de leite e derivados.

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