Protestos em estradas estão impedindo o escoamento de alimentos para os animais e produtos finalizados
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Protestos em estradas estão impedindo o escoamento de alimentos para os animais e produtos finalizados

A situação política e social da Bolívia vive um momento crítico desde as últimas eleições, quando o ex-presidente Evo Morales teria garantido o quarto mandato consecutivo. Com suspeita de fraudes eleitorais, Evo acabou renunciando e a situação no país saiu dos trilhos.

Após essa ebulição política, foram 21 dias de bloqueios em terras bolivianas. Produtores, técnicos de campo e empresários ouvidos pelo Canal Rural disseram que apenas o essencial era liberado para trafegar pelo país.

A crise se aprofundou ainda mais quando simpatizantes de Evo Morales passaram a protestar contra a formação de um novo governo provisório. As regiões da zona cocaleira, onde se produz coca e é o berço político de Morales, foram as mais afetadas pelos protestos.

A situação mais crítica está nas regiões de Cochabamba, La Paz, Potosí, Sucre, que seguem com estradas bloqueadas por manifestantes do ex-presidente. Nas regiões de Tarija (no sul), Beni, Santa Cruz de la Sierra não há bloqueios, porém, não é possível escoar nada que saia dali e tenha como destino Cochabamba e La Paz.

Caminhão boliviano

Estradas bolivianas sofrem com protestos e paralisações. Foto: Ministério de Comunicação da Bolívia

Soja e milho

A região de Santa Cruz de la Sierra é considerada a maior região produtora de soja e milho na Bolívia.  Com os bloqueios nas outras regiões, está faltando matéria-prima para as indústrias de ração.

As empresas de nutrição também sentem, já que algumas matérias-primas como o sal branco – escoadas via Cochabamba – não conseguem chegar ao destino.

Na última quinta-feira, 21, a estrada que liga o Brasil à Bolívia foi reaberta. Por Santa Cruz, chegam produtos industrializados pelo Brasil. O problema, no entanto, está no trecho entre Santa Cruz de La Paz, onde as estradas permanecem bloqueadas.

Produção agrícola na Bolívia

Produção agrícola na Bolívia. Foto: Ministério de Comunicação da Bolívia

Frutas e hortaliças

Em La Paz, a produção de frutas e hortifrutis que vêm “dos vales” e também depende dessas estradas estão sendo perdida, já que não consegue ser levada até o destino: o grande mercado consumidor  de la Paz, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra.

Com isso, os preços da carne de frango subiram, os de verdura triplicaram. A situação agora tende para a normalização após muitos conflito e até morte de manifestantes.

Pecuária

As forças armadas e a polícia tentam desbloquear as estradas e evitar prejuízo de produtores rurais, como pecuaristas de Cochabamba que estão perdendo leite, frangos e pintinhos, que estão morrendo de fome, já que o milho, a soja e a ração estão represadas.

A Bolívia tem um rebanho de aproximadamente 9 milhões de cabeças de gado. Destas, 6 milhões ficam na parte oriental, com menor altitude, como Santa Cruz de la Sierra, Beni, Tarija. O restante fica em La Paz, Cochabamba e Sucre.

Praticamente metade da produção de leite está perdida pela dificuldade no escoamento em Santa Cruz e Cochabamba. Para evitar desperdício, os produtores estão dando leite para a população, mas boa parte da produção é jogada fora.

Na indústria do gado de corte, frigoríficos de Cochabamba e La Paz também não conseguem trabalhar. Com isso, pecuaristas de Santa Cruz que mandavam gado para lá passaram a abater os animais na própria cidade, onde existem quatro frigoríficos, ou então enviam os animais para San Ignácio, nas proximidades de Cáceres.

No estado de Beni, cuja a capital é Trinidad, terra da presidente interina Janine Añes, cerca de 500 mil cabeças de bezerros são vendidas para outras regiões da Bolívia. No entanto, com este bloqueio, o comércio está parado.

Preços inflacionados

Mulher boliviana

População boliviana sofre com a falta de abastecimento em alguma cidades. Foto: Pixabay

Como reflexo da crise logística, o preço do frango e do leite subiu. As forças armadas tentam fazer com que haja fluxo de matéria-prima e produto acabado para poder atender às demandas.

A população está sendo prejudicada, não tem acesso aos alimentos. O Governo Federal está despachando cargas de avião com leite, frango, carne para as zonas afetadas.

Há racionamento de comida e de combustível, sendo disponibilizado um frango por pessoa a cada semana. Quanto ao combustível, são 100 litros de gasolina por semana e, no máximo, 300 de diesel por semana.

Futuro

A troca de governo deve favorecer o setor rural, principalmente com relação à exportação, que estava fechada no governo Evo Morales. A exportação de soja deve ser liberada, assim como o plantio de milho transgênico. O setor produtivo está otimista, já que recentemente começou a exportação de carne para a China.

Entre os motivos que atraem os brasileiros para investir na Bolívia está a taxa de juros (6% ao ano), o custo baixo da gasolina (R$ 2 o litro), óleo diesel (R$ 0,99 o litro), além do Dólar fixo (US$ 1,00 = 6,96 bolivianos).

Atualmente, 1 boliviano vale o equivalente a R$ 1,65. A moeda boliviana teve forte valorização recentemente, já que está atrelada ao Dólar. Este cenário é positivo para exportação, principalmente de soja e carne bovina, já que as produções de frango e milho são direcionadas ao mercado interno.

Brasileiros na Bolívia

Segundo as fontes ouvidas pelo Canal Rural, os brasileiros que produzem na Bolívia não estão localizados nas regiões onde hoje ocorrem os bloqueios. Sentem, claro, os reflexos indiretos destas manifestações, mas no geral, demonstram otimismo com o provável futuro do país mais aberto ao mercado externo.

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