Setores da agropecuária que dependem mais da demanda doméstica, além dos segmentos que trabalham com produtos perecíveis ou de valor agregado, devem ser os mais afetados pelos efeitos do coronavírus
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Setores da agropecuária que dependem mais da demanda doméstica, além dos segmentos que trabalham com produtos perecíveis ou de valor agregado, devem ser os mais afetados pelos efeitos do coronavírus

Ainda que o agronegócio seja, de acordo com especialistas e produtores rurais, considerado essencial para a população, setores da agropecuária que dependem mais da demanda doméstica, além dos segmentos que trabalham com produtos perecíveis ou de valor agregado, devem ser os mais afetados pelos efeitos do coronavírus. A avaliação é de um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Os setores mais vulneráveis e que merecem maior atenção, conforme a pesquisa do Cepea, são o de leite, hortifrutícolas- principalmente hortaliças, tomate, banana e manga- de floricultura e de biocombustíveis. Na análise de Guilherme Tresso, consultor de agronegócios do Sebrae de Rio Preto, os pequenos produtores sentem mais o impacto da pandemia, principalmente os que estão envolvidos com a produção de hortaliças.

“O que mais impacta é quando o pequeno produtor não tem mais o canal de comercialização que ele tinha antes da quarentena, com poucas opções de mercado, já que muitos pontos de venda estão restritos ao funcionamento do público”, disse o consultor. Ele disse que alguns produtores de hortaliças relatam que passaram o trator no campo, pelo fato de não ter como escoar a produção de verduras, que são mais perecíveis. Neste setor, Tresso avaliou que 90% dos pequenos produtores de hortifrútis estão com dificuldade de comercializar o produto.

Nos atendimentos do consultor do Sebrae, ele observou que os produtores de leite da região ainda se ajustam na comercialização do produto, com muita especulação de preços no mercado, ainda sem previsão de como será a reação à curto e médio prazo, em decorrência da crise do coronavírus. “Ainda há instabilidade na economia nacional e internacional. Não sabemos se, com a queda na cotação do barril de petróleo, o produtor terá um preço menor no litro do leite. Por outro lado, os preços dos insumos também diminuíram, o que é positivo para quem trabalha no campo”.

Maior impacto

Os pecuaristas de gado leiteiro da região podem ter preços no litro do leite UHT, segundo Guilherme, menos valorizados porque dependem dos laticínios da região. “O que eles nos relatam é que se o laticínio tem uma abrangência maior de distribuição de produtos, os preços ficam mais estáveis”, disse o consultor.

No mês de março, com as recomendações de isolamento social, os produtores de leite tiveram demanda do produto, quando ainda a população tinha dúvidas sobre o abastecimento de alimentos nos supermercados. “Hoje podemos avaliar que não há falta do leite nas gôndolas, mas ocorreu uma queda na comercialização dos derivados do leite, como queijos e outros produtos lácteos”, explica Tresso. São produtos de valor agregado ao leite, como os iogurtes, com registro de queda em 20% , de acordo com o consultor.

Rafael Sampaio Rezende trabalha com o pai, o pecuarista Edson da Costa Rezende, na pecuária leiteira da propriedade, em Paulo de Faria, onde eles produzem de 80 a 100 litros de leite diariamente. Para Rafael, o preço do litro de leite se manteve com a pandemia. “Os preços permanecem os mesmos, entre R$1,37 ou R$1,40, dependendo muito da nossa produtividade (as análises que o laticínio faz provocam a variação nos preços), mas sei que o mesmo não acontece com outros produtores, que tiveram preços reduzidos”, diz Rafael.

O agropecuarista disse também que o contrato com um laticínio da região, com comercialização de abrangência nacional, faz toda a diferença para vender o leite. “Antes, tínhamos contrato com outro laticínio que vinha buscar o leite no sítio, e o produto era comercializado na região apenas. Agora conseguimos ficar mais tranquilos, o laticínio que recolhe nosso leite distribui em redes de supermercado de todo o Brasil”.

Na avaliação do professor de Engenharia Agronômica da Unesp, de Ilha Solteira, Omar Jorge Sabbag, por mais que a bovinocultura leiteira tenha uma produção enxuta no Brasil, “temos grandes e pequenos produtores, o que gera incertezas, principalmente neste momento da pandemia de Covid-19”. Para Sabbag, que ministra aulas de economia e gestão do agronegócio, com a queda de consumo de queijo, um dos derivados do leite- que representa 30% da alocação do leite na indústria-, pode o produtor ver seus preços caírem. “É uma crise em cadeia, o que gera um efeito cascata”.

O professor acredita que o efeito da crise sanitária com a pandemia do coronavírus no Brasil ainda pode se estender até o mês de junho, quando os vários setores de comércio vão retomar melhor suas atividades. Sabbag avaliou ainda que os setores de hortifrútis, principalmente o de hortaliças e de algumas frutas, tiveram retração de 40%, o de aves e suínos, queda de 15% e o de piscicultura, vendas menores em tono de 30%.

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